
Uma escola abandonada foi ocupada em 2017, ali foi iniciada a experiência de luta, apoio mútuo e autonomia, princípios inspirados na anarquia. Foram 8 anos de construção coletiva, lutas, projetos e aprendizados. Um espaço cheio de entulhos, se transformou em uma mini agrofloresta com seu micro clima, as salas vazias deram vida a atelier de arte, biblioteca, espaço de treino para malabares, artes marciais, capoeira e ensaio para bandas. A cozinha a lenha foi o combustível para diversas conspiras ao redor do fogo, e para nutrir os corpos rebeldes que se encontraram nesse território indômito. Bandas, coletivos e profundas amizades se construíram ali, onde aos olhos do poder e seus defensores, fazíamos o errado. Espaço que serviu de base para organizações coletivas e individuais, e que foi a ferramenta para realização de diversos sonhos, aprendizados e realizações. Sementes espalhadas pela terra e também em corações.
Nem imaginávamos que duraria tanto tempo, alguns problemas e conflitos por vezes pareciam insuperáveis. Mas mudar a perspectiva e buscar o apoio mútuo foram sempre as melhores respostas. Confrontos e conflitos, resistência e tentativas, sucessos e fracassos, desistências, também fizeram parte ativa, nessa procura de viver a anarquia.
Pra além de toda a materialidade das resistências, o que se construiu em questões de relações , corações fortes e a certeza de nossos valores e ideias, ficarão pra sempre marcadas nas pessoas que vivenciaram por tempo suficiente essa experiência.
Apenas palavras nunca vão ser suficientes pra sintetizar tudo o que foi, a seu jeito, cada indivíduo sabe o impacto que essa experiência teve em si.
O processo judicial que leva desde os primeiros meses da kasa chega em um momento onde o juiz determina que devemos desocupar a kasa e a mesma será demolida de acordo com uma ordem da prefeitura de 2016, por se considerar uma construção condenada e com risco de desabamento.
Não existe por parte da prefeitura uma data exata para desocupar a casa e menos ainda para sua demolição (visto que a ordem de demolição passa por alguns trâmites a mais), porém ambas as ordens já foram expedidas pelo juiz do caso. O oficial de justiça já apareceu e não conseguiu falar com ninguém, mas a forma que levamos essa última fase do processo fez com que ao olhos do juiz não seja necessária nova visita do oficial, apenas a desocupação e fechamento da kasa, e assim que possível sua demolição.
Não vamos resistir na força como já fizemos em outros momentos, já não queremos manter qualquer diálogo com a justiça ou a prefeitura e decidimos por desocupar a kasa antes de sermos desalojados pelo poder público.
Convidamos para a última gig da viúva negra:
GIG DA DESPEDIDA:
“Se desalojam nossos sonhos, ocupamos seus pesadelos”
Dia 8 de Janeiro – Domingo a partir das 14 horas
Após a gig a kasa continuará lá, que possamos defender as árvores da floresta que se tornou e também levar mudas das bananeiras e abacates que resistem aí e buscam se espalhar e ser livres!
Sem tristezas e com a alegria de seguir lutando!
Okupa e resiste!
Ataka e subverte!
